Alerta 11/2025 - Casos de malária reportados em Mayotte, França
Causas
Malária
Recebemos atravês da plataforma Epipulse do ECDC informação sobre a existencia de transmissão de casos de malária em Mayotte, França
Resumo Executivo
Em 2025, e até 31 de julho, foram notificados 12 casos de malária adquirida localmente em Mayotte, França.
Entre estes casos, dez foram registados na segunda metade de julho de 2025.
Estes casos constituem os primeiros episódios de transmissão local desde julho de 2020 em Mayotte.
A probabilidade de infeção em Mayotte permanece muito baixa e não constitui risco adicional para a Europa continental.
Visão Geral
Em 2025, e até 31 de julho, foram notificados 12 casos de malária adquirida localmente em Mayotte, França. Entre estes, dez foram registados na segunda metade de julho (Bandrélé – sete casos; Koungou – dois casos; Chirongui – um caso) na ilha principal. Os outros dois casos adquiridos localmente foram reportados em fevereiro e junho.
Todos os casos registados em 2025 foram confirmados por PCR e atribuídos ao Plasmodium falciparum. Estão em curso investigações sobre um eventual elo epidemiológico entre os casos e a fonte de infeção.
Foram ainda notificados vários casos importados, sobretudo oriundos das Comores, tanto em 2025 como em anos anteriores.
A notificação destes casos adquiridos localmente constitui os primeiros casos reportados desde julho de 2020.
De acordo com as autoridades de saúde francesas, a estação seca é um fator desfavorável à proliferação do vetor. As autoridades locais e nacionais continuarão a monitorizar a situação, a qual evidencia o risco residual de transmissão local devido à presença de mosquitos vetores competentes. Adicionalmente, estão a ser implementadas ações de saúde pública, como medidas de controlo vetorial, no âmbito da estratégia adotada desde 2012.
Avaliação
Não se registavam casos de malária por P. falciparum adquirida localmente em Mayotte desde julho de 2020. As investigações continuam em curso e estão a ser aplicadas medidas abrangentes de controlo vetorial pelas autoridades de saúde.
Neste contexto, a probabilidade de infeção em Mayotte permanece muito baixa e não aumenta o risco de ocorrência de casos autóctones na Europa continental. Esta avaliação deverá ser revista em função da evolução da transmissão em Mayotte.
Recomenda-se aos viajantes para Mayotte a aplicação de medidas de proteção individual para reduzir o risco de picadas de mosquitos.
As autoridades francesas recomendam que, em caso de sintomas sugestivos após viagem a uma área endémica de malária (até três meses após o regresso), o diagnóstico de malária seja sempre considerado e confirmado por teste biológico.
Ações
O ECDC continuará a monitorizar a situação através de atividades de inteligência epidémica e voltará a reportar caso surjam atualizações epidemiológicas relevantes.
Malária
Face a esta situação julgamos adequado para a prevenção do risco de transmissão de malária através da transfusão:
- Suspensão temporária de 120 dias apos regresso de zona endémica e aceite posteriormente se teste imunológico negativo nas pessoas candidatas à dádiva que viveram numa zona endémica de malária pelo menos seis meses de forma contínua em qualquer altura da vida ;
- Suspensão temporária de 1095 dias (3 anos) se teste imunológico repetidamente reativo, sujeito a reavaliação apos este período;
- Suspensão temporária de 1095 dias (3 anos) nas pessoas candidata à dádiva, três anos após o regresso da última visita a uma zona endémica, desde que assintomático. O período de suspensão pode ser reduzido para 120 dias se o teste imunológico for negativo;
- As pessoas candidatas à dádiva que visitaram zonas endémicas 120 dias de suspensão após regresso, sem sintomas e teste imunológico ou do genoma molecular negativo;
- Suspensão temporária de 1095 dias (3 anos) nas pessoas candidatas à dádiva com histórico de Infeção e após cessação do tratamento e ausência de sintomas. Aceite posteriormente apenas se o teste imunológico ou do genoma molecular for negativo;
NOTA - O teste do genoma molecular deve ser utilizado para diagnóstico de infeção e não para aceitação de dádiva.